Uma breve história do RPG – Parte 1


Igor Bone

Igor "Bone" Toscano é nerd, biólogo, leitor compulsivo, jogador de RPG, jogos de tabuleiro e card sem preconceitos há mais de 15 anos, fanático por filmes, crítico ferrenho. Já fez algumas traduções. Atua como MIB e é o Diretor Regional da América Latina do programa de voluntários para a divulgação dos jogos da editora americana SJGames. É viciado em internet. Colabora no site Nerdice.com, possui o blog MIB1602 - Fnord e organiza o Quero Jogar RPG em BH.


Inspirado pelo post sobre a história das HQs, e como foi sugerido pelo Victor, vou falar um pouco sobre a história dos RPGs. Aqui, vou discutir o mercado lá fora, e citar alguns dos principais nomes.
Se você não tem bem uma noção de como é um jogo de RPG, do que se trata o assunto, recomendo dar uma olhada aqui.
Mas como foi que surgiu a idéia de interpretação de papéis? O precursor dos jogos de interpretação são os chamados wargames, um hobby muito comum entre os americanos, que consiste em jogos de estratégia militar, com várias pecinhas representando exércitos. Alguns são realistas, imitando exércitos romanos, napoleônicos. Outros, medievais, com elementos de fantasia ou não (dragões, feiticeiros). E foi durante uma partida de wargame que surgiu a possibilidade do RPG.

O início do RPG é um pouco mítico. E a lenda é sempre mais divertida do que a realidade. Porém, sabemos que nos anos de 1969/1970, todos os elementos convergiram. Em Minnesota, no final dos anos 60, Dave Wesely organizou uma série de partidas de wargame com um cunho mais interpretativo. Dave Arneson, que participou desses jogos e já começava a desenvolver seu próprio sistema encontrou Gary Gygax, organizador da segunda GenCon, em Wiscosin. A Gen Con é a maior feira de jogos dos EUA atualmente, e uma das grandes referências para os autores e jogadores que querem saber as novidades, conhecer jogos diferentes.

O primeiro RPG de todos – Dungeons and Dragons.
Desse encontro, surgiu o primeiro RPG. Arneson e Gygax trabalharam junto para criar um sistema que, diferente dos antigos wargames, cada um dos jogadores não controlava tropas inteiras, mas um único personagem. Cabia a cada um deles interpretar esse personagem, e resolver conflitos em uma escala individual. Esse foi Dungeons and Dragons, o primeiro e até hoje mais famoso RPG. Mesmo quem nunca jogou conhece alguma coisa relacionada ao D&D. Quem não se lembra de “Caverna do Dragão”, desenho da década de 80 que contava a história de um grupos de garotos presos em um mundo fantástico, tentando encontrar uma saída? Os vários elementos do desenho são baseados nesse jogo e o Mestre dos Magos, em inglês, chama-se Dungeon Master, o nome que o D&D usa para caracterizar o mestre.
Durante a década de 70, surgiram alguns poucos jogos, de vários tipos. Traveller (espacial), RuneQuest e Gamma World (futuro pós-apocalíptico) são alguns dos que mais se destacam, assim como Tunnels and Trolls e Bunnies and Burrows, que parodiam o nome do primeiro jogo.
Os anos 80 foram o “boom” dos RPGs. Várias companhias investiram em adaptações de seus mundos para jogos de RPG. Era comum achar jogos da Marvel ou da DC, em que os personagens podiam jogar com os super-heróis das editoras, Conan, Tartarugas Ninjas, Star Trek. Call of Cthulhu, um dos primeiros jogos de horror, baseado na obra do autor americano H.P. Lovecraft é um jogo cult dessa época, assim como alguns jogos de humor como Toon e Paranóia. Alguns desses títulos chegaram ao Brasil, como o conceituado Shadowrun, que mistura os elementos fantasiosos de D&D (elfos, anões, dragões, magos) com tecnologia e um cenário cyberpunk.

Gurps: RPG Genérico, primeiro RPG brasileiro, até hoje mantém uma legião de fãs.
É dessa época também o GURPS. Apesar de não ser o primeiro, é o mais eficiente dos jogos genéricos. Tipicamente, a cada jogo novo que era criado, ele vinha com um novo sistema de regras. De forma que sempre que você quisesse jogar algo novo, tinha que aprender regras novas. O GURPS mudou isso com um sistema genérico, que comporta vários tipos de cenários: você pode jogar, com as mesmas regras, um jogo medieval ou um jogo hiper futurista, o que gerou interessantes possibilidades de jogo: dos mais sérios aos mais bem humorados.
Esses primeiros jogos tinham por característica serem muito combativos e não muito interpretativos. Isso mudou no começo da década de 90 com os jogos da editora White Wolf, principalmente Vampiro: a Máscara. Nos jogos do Mundo das Trevas, eles encorajavam cada jogador a criar um personagem complexo, e focar o jogo no drama desses personagens. A idéia era até um pouco terapêutica: ao criar um personagem com um lado negro, você acaba entrando em confronto com o seu próprio e extravasa em jogo. A proposta era interessante, só que muitos dos jogadores ignoravam essa parte dos livros e se atinham apenas aos poderes, criando verdadeiras abominações para os jogadores que encaravam o jogo como algo “sério e profundo”. Claro que, os dois lados eram extremistas e falhavam em ver o óbvio: é apenas um jogo.
Os anos 90 foram o ano da decadência do RPG. Jogos eletrônicos passaram a dominar e as vendas dos RPGs caíram absurdamente, um problema que se agravou com o tempo. Cada vez menos são comuns novos jogadores, apesar de, atualmente, a produção de jogos independentes ser forte.
Essa, inclusive, é a característica dos jogos atuais: são jogos independentes, feitos por pequenas editoras, para um nicho muito restrito. A maioria deles foi criada para servir como alternativa ao D20, um sistema lançado no começo da década, atualizando o D&D para uma nova edição (depois de 20 anos) e que dominou o mercado. Os jogos alternativos buscam, cada vez mais, novas maneiras de resolução de conflitos: sistemas de regras elegantes e diferentes, explorar diferentes possibilidades narrativas em conjunto. Tem quem adore, tem quem a
bomine essas novas abordagens.
Por exemplo, temos Burning Wheel, My Life With Master, Dogs in the Vineyard, Nobilis e vários outros jogos.
O futuro: é incerto para os roleplayers. Jogadores mais antigos têm mais dificuldade em manter grupos, afinal há obrigações familiares e sociais. Jogadores novos são raros. Os novos jogos são caros, já que são produzidos em pequena escala, o que os torna pouco acessível para quem não tem emprego ou uma fonte de renda segura. Ainda assim, vários sistemas e cenários novos surgem, fervilhando de novidades, super criativos.

Mais alguns livros. Cada um desses é um jogo diferente, com regras próprias, para públicos variados. Só lendo e jogando para saber se é do seu agrado

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