Arte e Natureza


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Quando se olha a imagem acima, temos a impressão de estarmos diante de uma pintura abstrata. As linhas coloridas, dispostas em harmonia, os ângulos precisos emoldurados por espaços meio sinuosos, preenchidos com um oportuno cinza cromático, onde o olhar pode pousar para descansar… Tudo isso nos dá subsídios suficientes para realizarmos uma análise visual bastante satisfatória. Porém, através de outras fotos, descobrimos que a imagem não é feita de tintas ou lápis coloridos. São fotografias retratando o norte da Holanda, onde mais de 10 mil hectares são dedicados ao cultivo de flores.

Essas imagens nos servem como ponto de partida para uma breve investigação: Por um lado, não restam dúvidas de que se trata de cenários lindíssimos. Mas eles podem ser considerados, de fato, obras de arte? Podemos afirmar que um pôr-do-sol, por exemplo, ou o canto de um pássaro são, por si sós, dotados de valores artísticos? Essas são questões complexas e muito frequentes por parte de estudantes de arte.

Por definição, arte, enquanto linguagem e expressão, é tudo aquilo feito pelas mãos do homem com intenção de gerar uma experiência estética. Um pôr-do-sol pode ser belo, mas é o resultado de certas causas naturais. Podemos admirar o canto de um rouxinol e achar desagradável o grasnar de um corvo, mas um pássaro não é melhor “músico” do que o outro, ambos estão apenas se comunicando, só que cada um produz o som que lhe é particular. Logo, os elementos da Natureza, por mais bonitos ou interessantes que sejam, não constituem arte por si próprios.

Contudo, o homem pode se apropriar daquilo que observa para gerar um tema que leve a um produto artístico. Uma obra de arte poderá, sim, ter suas origens na natureza. Um compositor pode ser inspirado pelo canto de um pássaro ou um pintor pode emocionar-se com as tonalidades de um pôr-do-sol. No entanto, precisamos ter em mente que aquilo que o artista observa na natureza vai tomar parte de sua obra como o tema, ou seja, um assunto, trabalhado por meio de técnicas para realizar as suas intenções.

No caso do cultivo das flores, o objetivo de tais disposições pouco tem a ver com a estética e, sim, com a separação das diferentes espécies. Então, podemos dizer que, não as paisagens, mas as fotos em si constituem obras de arte, assim como aconteceria com uma pintura ou mesmo uma música inspiradas por tal visão. Artista mesmo foi quem fotografou as flores usando sua subjetividade e recursos visuais particulares para encontrar ângulos e formas interessantes que somente seu olhar foi capaz de identificar.

Todo trabalho de arte deve ser, por definição, artificial, originado pelo incansável espírito criador do homem.